14/01/2020 – Revisão da rede elétrica determina consumo consciente, proteção dos moradores e valorização do imóvel

Especialistas orientam que toda construção com mais de 20 anos deveria passar pelo retrofit, que nada mais é que uma atualização normativa das instalações de eletricidade

 

Rede elétrica

 

Condutores, fios e cabos elétricos têm longevidade limite de 30 anos. Quadro de distribuição e disjuntores suportam, no máximo, 20 anos de atividade. Demais dispositivos, como lâmpadas e periféricos duram de cinco a 10 anos. Essa estimativa técnica da longevidade dos dispositivos instalados em uma residência alerta para algo imprescindível para garantir a segurança dos moradores e do patrimônio: a revisão das instalações elétricas ou retrofit.

 

Palavra do especialista

 

Segundo o tecnólogo em eletrotécnica Paulo Sérgio Silva Andrade, toda construção com mais de 20 anos deveria passar pelo processo, que nada mais é que uma atualização normativa da instalação elétrica. Mas falta fiscalização e, principalmente, conscientização.

 

“Muita gente troca o piso, mas não olha pra parte elétrica, exatamente aquela que pode levar a um risco de morte”, critica. Estatísticas da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) revelam que, somente em 2014, 627 pessoas morreram, no Brasil, vítimas de choque elétrico. E esses dados são subestimados. A entidade acredita que a realidade seja até cinco vezes maior. Minas Gerais tem um agravante. Cinco das 10 cidades com maior densidade de raio do Brasil são mineiras, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Existem dispositivos para amenizar o risco de choques fatais e eles estão previstos nas normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a construção civil. Sua casa tem?

 

Segundo Andrade, a maioria das construções dos últimos 10 anos estariam dentro da normalidade, mas o ideal é fazer um diagnóstico com um eletricista capacitado, um eletrotécnico ou um engenheiro eletricista. Só eles estão aptos a conferir se a construção tem fio-terra, que garante a operação de outros itens de segurança como o dispositivo de proteção contra surtos de tensão (DPS), uma espécie de “para-raio” do quadro elétrico; dispositivo de corrente diferencial-residual (DR), que evita choques fatais; e disjuntores, que protegem cabos e cargas da instalação elétrica. Esse último é comumente trocado por um de maior capacidade, que permita o funcionamento de um chuveiro mais potente, por exemplo, sem qualquer consulta a especialistas. Um risco.

 

Se a construção não tiver qualquer um desses itens deve passar por um retrofit. O diagnóstico contempla ainda a análise da fiação. “Na maioria dos casos, é preciso trocar a tubulação, o quadro de distribuição, as tomadas e os interruptores; tudo dentro das normas técnicas atuais que garantem segurança para moradores e para o patrimônio, maior vida útil aos eletroportáteis e um consumo sustentável de energia”, alerta Andrade. E não é um processo barato. Daí a importância de se ter o projeto elétrico da construção, o que facilita essa análise.

 

A vida contemporânea demanda muito mais das instalações elétricas, que têm uma potência máxima instalada. Construções antigas eram pensadas para suportar o consumo de uma geladeira, uma televisão, um chuveiro – não tão potente como os disponíveis atualmente – e um eletroportátil ou outro. Hoje, eles são mais econômicos. Mesmo assim precisam ter por trás uma instalação elétrica capaz de alimentá-los sem risco de sobrecarga.

 

Segundo a arquiteta e lighting design Daniela Meireles Carvalho, o uso de adaptadores de tomadas, os chamados benjamins, são outro erro. O ideal é ter uma tomada para cada eletroportátil e mesmo aquelas construções com os dispositivos de segurança necessários podem não estar adaptadas. Mas há soluções no mercado, caso da fita elétrica autoadesiva. “Ela passa a energia de um ponto para o outro sem quebrar nada. Se você tem uma só tomada e quer outras, o sistema ‘pega’ a energia da existente, pluga na fita, que é colada na parede, e passa para a nova tomada”, explica.

 

Fonte: Viva o Condomínio

07/09/2019 – Hortas urbanas: alimentos orgânicos em casa

Ação de sustentabilidade em condomínios ajuda na qualidade da alimentação, na integração entre os moradores e pode servir até como terapia

Em tempos de uso indiscriminado do agrotóxico, poder contar com produtos fresquinhos na mesa e ter a certeza de que estão livres de qualquer tipo de veneno é um privilégio, e tem incentivado o consumo de orgânicos. Tanto que segundo levantamento do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), a parcela de pessoas que tem consumido orgânicos pelo menos uma vez por mês subiu de 15%, em 2017, para 19%, em 2019. Em Santa Catarina, quarto maior produtor no Brasil de acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), no início do ano o Estado implementou uma Política Estadual de Incentivo às Feiras de Produtos Orgânicos.

Economia verde

A qualidade na alimentação é apenas uma das vantagens quando se fala dos benefícios das hortas urbanas. Em São José, no bairro Forquilhas, os moradores do Residencial Garden Ville foram premiados. Além de morar em um espaço bem estruturado e com várias áreas de lazer, o condomínio ainda conta com mais uma vantagem: os condôminos podem receber produtos orgânicos colhidos na hora. E o melhor, sem precisar tirar o carro da garagem.

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Ana Paula Palmezan, síndica do Residencial Garden Ville e o produtor de alimentos orgânicos Claudio Hoffmam

O edifício tem como vizinho o agricultor Claudio Hoffmam, morador do local há 20 anos e proprietário de um terreno de quatro hectares, onde planta vários tipos de hortaliças. Semanalmente ele prepara uma cesta com os alimentos que foram previamente encomendados, via grupo no Whatsapp, e entrega na porta do prédio ou os próprios condôminos pegam no local. O mix de variedades conta com mais de 20 tipos de hortaliças, entre elas alface e temperos em geral.

Por semana é colhido aproximadamente uma tonelada de alimentos, sendo que a maior parte da produção abastece duas grandes redes de supermercados de Florianópolis. Do condomínio, 50 famílias aproveitam essa facilidade, mas segundo a síndica Ana Paula Palmezan, a ideia é investir ainda mais na divulgação formal e tornar o serviço mais conhecido entre os 16 blocos, que somam 512 unidades.

“A tranquilidade de poder comprar produtos naturais sem agrotóxicos, na porta de casa, não tem preço. Eu sou uma das freguesas do senhor Hoffman e vejo a importância dos condomínios incentivarem e proporcionarem a criação de hortas comunitárias. Ou ainda buscar produtores da sua região que possam atender a essa demanda”, pontua Ana Paula.

Com as mãos na massa

Se nem todos têm a sorte de morar ao lado de uma grande horta urbana, vale lembrar que é possível criar iniciativas dentro do próprio condomínio. E é exatamente isso que estão fazendo vários síndicos e moradores que, através de práticas sustentáveis, estão colocando na mesa alimentos mais saudáveis e, ao mesmo tempo, criando um ambiente cooperativo nos edifícios. Para as pessoas que se envolvem com todo o processo, do plantio à colheita, mexer na terra ainda pode ter função terapêutica.

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As moradoras Helena de Souza e Edite de Morais na hora do Condomínio Mirante Quatro Estações

Também de São José, o Condomínio Mirante Quatro Estações, localizado no bairro Serraria, cultiva uma horta comunitária desde 2016. Reivindicada pelos moradores, através do Conselho de Meio Ambiente do prédio, a estrutura foi construída em uma parte do boulevard onde já estavam instalados canteiros com grama. E o que começou com 30 m², hoje ocupa uma área de 120 m². O condomínio conta com um espaço total de 46 mil m², sendo seis torres com 240 apartamentos. Os quase 1.200 condôminos desfrutam de uma infraestrutura completa com salões de festas, brinquedoteca, cinema, piscina, academia, parques infantis, campo, quadra, pista de skate, espaço pet e pista de caminhada de 900m.

De acordo com o síndico Dalmo Tibincoski, que há quatro anos comanda o espaço, todos os moradores podem participar dos cuidados com a horta, conforme a disponibilidade de cada um, sendo que as moradoras Helena de Souza e Edite Balem de Morais são as responsáveis por coordenar as atividades. Com o apoio da administração e da empresa de jardinagem que atende ao condomínio, elas dão o ritmo ao trabalho, plantio, cuidados, colheita, entre outras demandas. Todos os alimentos produzidos são disponibilizados gratuitamente aos moradores e para incentivar ainda mais o consumo e o envolvimento de crianças e adultos no projeto, o síndico irá organizar aos sábados o “Dia da Colheita”, sempre que houver produtos prontos para o consumo.

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A moradora Helena de Souza mostra a área de compostagem do condomínio

“Independentemente do tamanho, da localização ou das características do condomínio, sempre há alguma melhoria que pode ser implantada em relação ao cuidado com o meio ambiente e sustentabilidade. Convide os moradores para participar, peça a ajuda, ideias, comece e aos poucos com certeza todos irão contribuir de alguma forma”, avalia Tibincoski. O condomínio ainda desenvolve um trabalho de compostagem nos fundos do empreendimento, com o material orgânico coletado pelos condôminos. O adubo é utilizado como fertilizante natural na horta e em toda a área verde entre os prédios.

Iniciativa dos moradores

Outro bom exemplo de que o movimento das hortas comunitárias está crescendo e veio para ficar é de Florianópolis, no bairro Abraão, Condomínio Ilha do Sol. Sob o comando do síndico Carlos Brasil há três anos, o projeto do plantio teve seu início dois anos antes dele assumir o cargo, por iniciativa própria dos moradores. Mas foi só realmente este ano que ele ganhou força, quando mais pessoas abraçaram os cuidados necessários para manter o local. Construído há 41 anos, o empreendimento tem 92 apartamentos distribuídos em sete blocos.

Seguindo a risca o ditado popular ‘a união faz a força’, cada morador voluntário contribuiu com alguma coisa – tijolo pra cercar os canteiros, mudas, sementes, enxada, regadores – e o sonho se tornou realidade. Para montar a horta o condomínio aproveitou uma área verde que não estava sendo utilizada e hoje já tem temperos, legumes e verduras da época. Entre as opções de colheita no momento estão alface, cenoura, couve, brócolis, salsa e cebolinha. Os alimentos produzidos não são comercializados, sendo toda a variedade disponibilizada e dividida entre os moradores e funcionários do condomínio.

A iniciativa partiu dos moradores, mas a administração contribuiu com um sistema de captação de água da chuva com torneira e mangueira, que ajuda bastante nos períodos de estiagem. “O nosso próximo objetivo é plantar essa ideia nos que ainda não participam do projeto, oferecendo os resultados. Mais que um fornecedor de alimento, a horta tem atuado na sociabilização de todos. A relação entre os moradores não está somente na colheita, pelo contrário, existe um vinculo maior e isso é forte igual a uma raiz. O cuidado e o zelo deles é que faz a coisa funcionar”, comenta Brasil.

Entre os maiores incentivadores do projeto está a senhora Margarida Santi, que há 22 anos mora no edifício e é apaixonada pelo espaço. Filha de agricultores, ela sabe os benefícios que vêm da terra, ainda mais aproveitando um espaço, que estava ocioso, para o bem de todos. “Eu amo a horta e cuido um pouquinho todos os dias. Pra mim ela funciona como terapia, uma forma de desacelerar da correria do dia a dia. Gosto de plantar, ver os frutos nascendo, crescendo, tudo dentro do seu próprio tempo. Acho maravilhoso aproveitar a terra pra fazer algo útil para os condôminos. Aqui nós temos a oportunidade de comer alimentos orgânicos, saudáveis e de graça”, salienta.

Como estratégia para envolver os demais moradores, entre os próximos passos do grupo está disponibilizar uma caixa com os produtos da horta na portaria. Assim, as pessoas que não têm o hábito de ir até o canteiro poderão conhecer um pouco mais do trabalho e quem sabe até despertar a vontade de participar do grupo.

Comece uma horta

  • O primeiro passo é aprovar o projeto em Assembleia e definir como será o processo de implantação. Escolha um local com o máximo de iluminação solar que não esteja sendo utilizado. Caso o condomínio não tenha áreas permeáveis, o indicado é construir ou comprar canteiros prontos. Ou ainda, se não tiver muito espaço, é possível montar uma pequena horta vertical;
  • No caso das hortas maiores, é recomendado que também seja criado um centro de compostagem. Além de adubo natural, os moradores terão um destino mais sustentável para todo o lixo orgânico;
  • Forme um grupo que será o responsável direto por todas as demandas do espaço. Isso é fundamental para garantir o bom andamento do projeto;
  • Na hora do plantio, escolha as espécies de acordo com o espaço, profundidade do solo e época do ano. Aproveite o momento para promover a sociabilização entre os moradores, além de promover um momento de relaxamento e de contato com a natureza;
  • Nas hortas menores dê preferência para o plantio de ervas, temperos e chás. Em caso de hortaliças, opte pelas de cuidado mais simples, como alface, salsinha, cebolinha, coentro, entre outras;
  • Não se esqueça de regar e fique de olho na manutenção: retire as ervas daninhas, previna contra pragas com receitas caseiras e faça a poda das plantas;
  • Tenha bom senso na hora de colher os alimentos. Vale definir em grupo se cada morador poderá pegar do canteiro ou se terá alguém responsável pela distribuição.

Fonte: Portal do Condomínio