Diante das flexibilizações das medidas de distanciamento social, muitos condomínios também têm cogitado — ou já até permitiram — a reabertura das piscinas nos prédios residenciais. Um alívio para a chegada das altas temperaturas do final do ano, mas será que é seguro?

Publicado ainda em maio, um relatório do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) da Espanha considerou ser “muito pouco provável” contrair a Covid-19 por meio da água e afirmou que produtos desinfectantes (como o cloro) contribuem e “devem ser suficientes” para que nenhum microrganismo sobreviva no meio. No entanto, os estudiosos destacaram que o risco do contágio direto, através de outras pessoas, é o mesmo no ambiente aquático. Ou seja, é preciso ter cuidado.

Enfermeira, doutora em epidemiologia e colunista de A Gazeta, a médica Ethel Maciel ressalta que evitar aglomerações segue sendo uma das principais regras. “A ideia de manter o distanciamento físico em todos os lugares vale também para a água. Devemos ficar pelo menos a 1,5 metro das pessoas. A família junta, tudo bem. O problema é a interação de pessoas que não estão na mesma bolha social, que não moram juntas”, afirma.

O compartilhamento do espaço por indivíduos de diferentes círculos sociais pode dificultar o controle da Covid-19. “Se estávamos em cinco hoje na piscina e, amanhã, alguém é diagnosticado com a doença, os demais precisam fazer exame de contato e ficar em isolamento, até que a positividade seja descartada ou que se curem. Se as cinco pessoas são da mesma família, todo esse processo se torna mais simples e os novos casos de infecção devem ficar mais restritos”, esclarece Ethel.

Além da higienização de todo o ambiente, incluindo as espreguiçadeiras e os outros objetos que as pessoas tenham contato na área, o nível desse reforço deve acompanhar a intensificação do uso da piscina. Também é importante que a liberação do espaço siga o mapa de risco elaborado e divulgado pelo Governo Estadual. “Se houver um agravamento da pandemia, o uso deve ser restringido novamente”, defende a especialista.

Colocando de lado as aglomerações flagradas frequentemente nas praias da Grande Vitória — e que não deveriam acontecer em meio a uma pandemia — o mar em si também é tido como um meio improvável de transmissão do novo coronavírus, principalmente por causa do sal e da baixa concentração do agente viral, devido à imensidão do oceano.

Já as piscinas de água doce, os rios e os lagos são os ambientes aquáticos “mais desaconselhados” pelos seis estudiosos que elaboraram o relatório espanhol. Por não serem tratados, esses meios contribuem para a sobrevivência do novo coronavírus e, consequentemente, demandam mais medidas de precaução por parte dos banhistas.

Fonte: A Gazeta