Procura por imóvel de até R$ 400 mil pode crescer

O aumento de RS 5 bilhões da linha de financiamento imobiliário com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para imóveis de até R$ 400 mil, anunciado nesta semana, pode elevar a demanda por unidades com esse perfil, na avaliação da Lopes e da Brasil Brokers, as principais redes de imobiliárias do país. As taxas de juros de financiamento com esses recursos, no programa Pró-Cotista, são menores do que as de poupança, e a linha pode ser utilizada por quem tem conta do FGTS há pelo menos três anos.

“A média-baixa renda pode ter mais recursos para comprar imóveis”, afirma o diretor financeiro e de relações com investidores da Lopes, Marcello Leone. Nos cálculos da área de inteligência da Lopes, 40% do estoque de unidades novas do mercado da Região Metropolitana de São Paulo têm valor de R$ 200 mil a R$ 400 mil. No Brasil, a fatia com esse valor é de 37% do total do estoque.

Segundo o diretor nacional de prontos do Grupo Brasil Brokers, Josué Madeira, a medida pode resultar na mudança no mix vendido, com aumento da participação de imóveis de até RS 400 mil no total. Mas o impacto ainda está sendo avaliado, de acordo com Madeira. No primeiro trimestre, as unidades de até R$ 350 mil responderam por 39% das vendas de imóveis novos da Brasil Brokers e por 22% das de usados.

Nesta semana, o Conselho Curador do FGTS definiu também a redução do preço máximo do imóvel a ser financiado com recursos do fundo de RS 750 mil para RS 400 mil. Na avaliação de Leone, o efeito dessa mudança é neutro para o mercado. Isso porque imóveis com preço entre RS 400 mil e R$ 750 mil já eram financiados, na prática, com recursos da poupança e não do FGTS.

O diretor financeiro e de relações com investidores da Cyrela, Eric Alencar, compartilha da opinião de que o uso do FGTS para essa faixa era restrito p aumento de RS 5 milhões na linha de financiamento com recursos do FGTS para imóveis até R$ 400 mil foi considerado “uma ótima notícia” por Alencar.

O Valor Geral de Vendas (VGV) das unidades de até R$ 400 mil representa 37,5% do estoque total da Cyrela. Odiretor comercial da Rodobens Negócios Imobiliários, Amilton Nery Jr. diz considerar que a restrição do financiamento com recursos do FGTS de unidades de até R$ 750 mil para R$ 400 mil “um retrocesso em termos de crédito”, mas disse não esperar impacto relevante da mudança na venda dos produtos da incorporadora.

(Valor Econômico)

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