Imóveis de alto valor mantêm suas vendas em alta

O mercado imobiliário de alta renda parece que mal percebe a crise. Imóveis acima de R$ 2 milhões são vendidos como antes, apenas com velocidade um pouco menor. O preço tende à estabilidade, depois de anos de supervalorização, mas os investidores pensam um pouco mais antes de assinar o contrato de compra.

As incorporadoras focadas no segmento não têm do que se queixar. Para quem dispõe de uma renda de R$ 5 milhões para investimento, a casa ou o apartamento dos sonhos não é necessidade, mas desejo. “A retração neste segmento não tem sentido”, diz Guilherme Regal, diretor de Incorporação da Carvalho Hosken, uma das construtoras que apostam neste nicho de mercado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

“No fim das contas pesa a favor o fato de que o mercado imobiliário é sempre uma proteção para o capital”, afirma Nicolaos Theodorakis, diretor financeiro da Alfa Realty e MDL, que atua exclusivamente em São Paulo com imóveis de alto padrão de qualidade e preço.

“O interesse dos estrangeiros em imóveis na Zona Sul carioca já era sensível por causa da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, mas aumentou com a atualização do câmbio”, diz Rodrigo Caldas, vice­-presidente da Concal, incorporadora com o DNA da valorizada Zona Sul da capital fluminense.

O imóvel para a alta renda combina arquitetura sofisticada, decoração personalizada, matéria­prima de qualidade e luxo no acabamento. O material usado em pisos e paredes ajuda a definir se a casa ou o apartamento é especial. Mármore importado e madeiras nobres formam uma dobradinha quase inevitável.

Piscinas, spas, academia e cinema fazem parte do pacote de conforto. A localização é um dos trunfos do negócio no setor. Imóvel só é de luxo se estiver cercado por outros imóveis de luxo. Não adianta uma obraprima arquitetônica em um ponto ruim. O que o comprador com poder aquisitivo quer é o que as construtoras chamam de triplo P: ponto, planta e preço.

Um dos grandes projetos da Carvalho Hosken no Rio é o Ilha Pura, um novo bairro que será criado nas imediações das instalações dos Jogos Olímpicos de 2016, na Barra da Tijuca. Terá 3.700 unidades construídas com a matéria prima da sofisticação.

O primeiro trimestre da empresa fechou alinhado com o mesmo período do ano passado. O preço médio da unidade comercializada pela construtora fica em torno de R$ 2 milhões. “A previsão deste ano é fechar R$ 200 milhões em vendas”, diz Guilherme Regal.

A Concal, que atua há mais de quarenta anos no mercado imobiliário carioca, aposta em um residencial de alto padrão no Leblon. É o Artsy. O imóvel com 70 apartamentos e mais de 1.500 metros quadrados de lazer, ocupa o lugar onde até há pouco funcionava a casa noturna Scala, ao lado de um shopping center e a poucos metros da Lagoa Rodrigo de Freitas e de Ipanema. O serviço de concierge reserva ingressos para eventos de entretenimento ou transporte de carro, barcos e helicóptero. Cada apartamento custa em torno de R$ 3 milhões. “A crise provoca uma certa estabilização dos preços. Quem tem alguma reserva de dinheiro percebe que o momento oferece oportunidades”, afirma Rodrigo Caldas, da Concal.

(Valor Econômico)

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