Entre as orientações, o Corpo de Bombeiros pede que as pessoas acionem o socorro, saiam imediatamente do prédio em chamas e auxiliem a saída de pessoas com dificuldade de locomoção

Um apartamento em chamas, uma família em apuros. Casos de incêndios domésticos podem acontecer a qualquer momento, seja dentro da sua própria casa ou na residência de algum um vizinho. Acionar o Corpo de Bombeiros é sempre a primeira orientação do que fazer. Mas enquanto o socorro não chega, testemunhas podem ajudar com algumas ações.

Entre as orientações, o Corpo de Bombeiros pede que as pessoas saiam imediatamente do prédio em chamas e auxiliem a saída de pessoas com dificuldade de locomoção.

Em primeiro lugar, é muito importante que as pessoas saibam que não devem tentar invadir o apartamento que está em chamas se não tiverem treinamento específico para essa ação. Pois, ao abrir a porta de um local em chamas sem qualquer preparo, há uma chance maior do incêndio alastrar-se, fazendo mais vítimas.

O major Maurício, assessor de comunicação do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, contou que é muito comum casos de vizinhos entraram no local incendiado, conseguirem salvar algumas pessoas e depois perderem a própria vida no incêndio.

“É muito perigoso dizer que as pessoas devem ajudar dessa forma porque elas não são profissionais e esse trabalho não faz parte da rotina delas. Em um local de incêndio, há pouca oferta de oxigênio. O perigo quando alguém resolve abrir ou arrombar a porta de um apartamento em chamas é que, ao abrir, ele pode queimar mais, em um efeito que chamamos de flashover – ignição súbita generalizada. Ou um efeito explosivo backdraft, que é uma onda de choque que pode arremessar pessoa na parede. Esses efeitos matam pessoas no mundo inteiro. Por isso, não orientamos enfrentar as chamas. Já vi pessoas que fizeram isso, saindo do local andando normalmente e morrendo dois dias depois por causa da fumaça inalada”, orienta.

  • Ao perceber que o seu prédio está passando por um incêndio, a primeira coisa que deve ser feita é acionar o Corpo de Bombeiros;
  • Depois, os moradores devem sair do prédio o mais rápido possível, sem preocupações em carregar bens materiais;
  • Os moradores devem auxiliar as pessoas com dificuldade de locomoção para que eles saiam em segurança também;
  • Os vizinhos ainda devem avisar a todo os moradores que o local está pegando fogo, seja batendo nas portas ou por interfone;
  • As pessoas devem evitar respirar a fumaça das chamas;
  • Fazer o resgate das vítimas apenas se tiverem treinamento com certificação;
  • Ajudar nos primeiros socorros de pessoas resgatadas se houver treinamento para isso;
  • Usar a mangueira contra incêndio do prédio apenas se for possível manter distância das chamas;
  • Usar o extintor apenas em casos de princípio de incêndio, onde ainda é possível se aproximar sem ocorrência de fumaça que impeça a visão e sem sentir o calor das chamas.

“O princípio de um incêndio tem pouca fumaça e o calor permite uma aproximação. Nesse caso, é possível ainda usar o extintor. Já em um incêndio, com muita fumaça e calor, não indicamos essa ação. A mangueira, porém, tem a vantagem de que não precisa se aproximar tanto das chamas”, disse.

Já nos casos de pessoas em chamadas não se deve usar o extintor de incêndio. O ideal é buscar uma toalha ou cobertor para abafar as chamas que estão no corpo da pessoa, de acordo com o tenente-coronel Roger Amaral, do Corpo de Bombeiros.

“Se você usar o extintor de PQS, que é o de pó, você vai contaminar e piorar a situação do queimado. O de água é preciso saber utilizar ou terá uma pressão muito forte e vai machucar o queimado. O extintor de água é para ser usado quando tem um princípio de incêndio no apartamento, por exemplo. Em um incêndio maior será usado aquele hidrante de parede. Então, o certo é pegar a toalha e fazer o abafamento do local onde está pegando fogo no corpo da pessoa. Sem o oxigênio, o fogo acaba. Essa toalha pode estar molhada ou não, o importante é fazer o procedimento mais rápido e com o melhor abafamento possível para esse fogo acabar logo”, orientou Amaral.

Nesses casos, muita gente se pergunta: mas não tem risco de o fogo passar para a toalha e atingir a outra pessoa? O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros diz que os riscos disso acontecer são mínimos.

“Risco tem, mas é mínimo. Se você abafar bem, o oxigênio acaba. Sem oxigênio não tem fogo. Quanto mais rápido fizer isso, mais rápido acaba com o fogo e as sequelas são mínimas para a pessoa. Às vezes a pessoa fica correndo para lá e para cá, demora muito, e uma queimadura que poderia ser de primeiro ou segundo grau, acaba sendo de terceiro grau”, explicou o tenente-coronel.

Se o acidente não aconteceu em casa e não há uma toalha ou cobertor por perto, não é indicado sair batendo com a mão no corpo da pessoa em chamas. Nesses casos, o recomendável é rolar a pessoa no chão.

“A gente não aconselha bater com a mão quando o corpo de alguém está pegando fogo. Quando você bate, acaba queimando a sua mão. Caso não tenha uma toalha ou cobertor, mande a pessoa deitar no chão e faça o rolamento dela. Role ela para um lado, conte até três, e role de novo. Vai ser feito o abafamento com o chão. Quando você deita no chão você corta o contato com o fogo”, explicou Amaral.

Fonte: A Gazeta