A necessidade do distanciamento social trouxe muitas mudanças de hábitos na vida dos brasileiros. Passando mais tempo em casa, a nossa produção e o consumo de alimentos se modificou bastante e isso também implicou num aumento da produção de resíduos. De acordo com uma pesquisa realizada pela Mobilis, os gastos com aplicativos de entregas, em especial os deliverys de comidas prontas, cresceram 149% durante o ano de 2020. Os que tiveram a maior demanda, segundo a pesquisa, foram o iFood, com crescimento de 172%, o Rappi (121%) e o Uber Eats (37%).

Acontece que quando pedimos comida, ela vem em embalagens desenvolvidas exclusivamente para esse fim com materiais como isopor e papel alumínio. Além disso, a produção de plástico também sobe com talheres, sacos e copos. E não é só delivery. As compras pela internet também tiveram um salto nos últimos meses.

A pesquisa “Shopping During The Pandemic”, realizada pela Ipsos com 20.504 entrevistados em 28 países apontou que, no Brasil, 47% dos habitantes têm feito mais compras on-line do que faziam antes da pandemia. Já um estudo da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), em parceria com a Neotrust, mostrou que mais de 20 milhões de brasileiros realizaram sua primeira compra pela internet no ano passado. Todas essas compras também chegam às residências em embalagens com sacos, isopores, papelão etc.

Mas para onde vai todo esse lixo? A resposta é simples: para o mesmo lugar que ia antes, só que agora, em quantidades maiores.

Um levantamento inédito feito pela Abrelpe, a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, mostrou que a geração de resíduos sólidos urbanos (domiciliares e de limpeza pública), em junho de 2020, registrou um aumento médio de pouco mais de 2%.

“Com a flexibilização de alguns espaços de uso comum e a retomada de atividades econômicas, como comércio e serviços, observou-se uma maior movimentação de pessoas, o que intensificou a atuação dos serviços de limpeza urbana. Esse mesmo movimento trouxe uma percepção de que o pior momento da economia já passou, levando a uma volta às compras, o que tem impacto direto no descarte de materiais”, avalia Carlos Silva Filho, diretor presidente da ABRELPE e vice presidente da ISWA – Associação Internacional de Resíduos Sólidos, que no Brasil é representa pela entidade brasileira.

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