Cresce procura por seguro residencial

Imagine que você compra o tão sonhado imóvel, decora e eis que um dia, infelizmente, um incêndio arruína tudo. Ou em um roubo, seus bens mais valiosos são levados. A perda quase sempre é total. O seguro residencial não é tão comum quanto o de automóveis no Brasil, e o Rio não é a cidade mais expressiva neste sentido – apenas uma média de 18% das residências têm seguro. Para mansões e imóveis de altíssimo luxo, a garantia sempre foi uma prática comum, entretanto, a busca por uma segurança para casas e apartamentos de médio porte tem crescido no Rio.

Dados do Grupo Banco do Brasil e Mapfre mostram que, de 2013 para 2014, houve um aumento de 16% no Rio no número de adesões, sendo que destes, 60% correspondem a apartamentos e 35% a casas habituais. Na seguradora Porto Seguro, o aumento foi de 20% na média brasileira e de 11% por aqui. O setor de seguros da Caixa Econômica Federal também tem registrando aumento gradual. Na capital fluminense, em 2012, foram 21 mil solicitações; em 2013, 24 mil; e no ano seguinte, 28 mil.

A maioria dos pedidos, afirmam, é para apartamentos. As principais coberturas contratadas são para incêndio, danos elétricos e responsabilidade civil. E os bairros onde mais se pede o seguro residencial são: Copacabana, Ipanema, Leblon, Jardim Botânico, Campo Grande, Barra da Tijuca, Jacarepaguá, além da cidade vizinha Niterói.

– Cada região tem suas características na solicitação de seguros, conforme a necessidade local. No Rio, a ocorrência de incêndios é maior, pois há prédios antigos e, como é bem quente, tem muito ar- condicionado ligado ao mesmo tempo. Este é o tipo de situação que pode gerar um risco maior. Em São Paulo, por exemplo, é comum o seguro para arrastão – explica o gerente de produto da Porto Seguro, Jarbas Medeiros.

Este medo de incêndio foi o que levou o morador Paulo Pitta a contratar seguro para o seu apartamento na Tijuca desde que comprou o imóvel, há 22 anos. O motivo? Pitta é engenheiro eletricista e sabe bem como é fácil surgir o fogo, e difícil controlar as labaredas:

– Sempre tive seguro. E se acontecesse algo? Quando eu comprei meu apartamento, quis preservar meu bem da melhor forma possível. O prédio tem o dele, mas eu tenho o da minha unidade também.

Aliás, para quem mora em residenciais, verticais ou horizontais, a dimensão da cobertura é uma dúvida frequente: o seguro do prédio protege meu apartamento ou casa também? Não, dizem os especialistas. O seguro feito pelo condomínio é obrigatório e contempla apenas a parte estrutural e de áreas comuns. Inclui proteção a incêndios, colisão, queda de aeronave e explosão.

Ou seja, no caso de um condomínio de residências, estão asseguradas as áreas como salões de festas, churrasqueiras e vias, dentre outros. Se acontecer algo em uma das unidades, a responsabilidade (e prejuízo) é do morador, caso não tenha seguro individual.

A PARTIR DE R$ 200 MENSAIS

No caso de apartamentos, Leandro Schneider, gerente da Apsa Corretora de Seguros, esclarece que o seguro do condomínio vai cobrir coluna, fachadas, janelas externas e áreas comuns. O interior dos imóveis, assim como os bens dentro, estão ausentes de proteção.

– Se o fogo começou na minha cozinha, mas se alastrou pelo prédio, o seguro do condomínio, que é obrigatório, cobre o prejuízo da área comum. Pode ser que a seguradora queira analisar e pedir uma ação para investigar corresponsabilidade.

Seguro é o tipo da palavra que remete a alto custo, pelo menos no Brasil. Mas os seguros de casas, geralmente, são mais baratos do que os de veículos. Isso porque automóveis estão mais sujeitos a perigos do que o imóvel, explica Schneider.

– O seguro é sempre proporcional ao risco. A taxa de carro é maior porque a vulnerabilidade para batidas e roubos também é maior.

Há vários tipos de seguros e os preços variam conforme a abrangência de cada um. O básico sempre inclui incêndio, queda de raio e explosão de qualquer natureza. Para estes, no Rio, os seguros variam de R$ 200 a R$ 300 mensais.

Segundo a Caixa Seguradora, o seguro residencial é precificado através do somatório do valor de cada cobertura contratada, sendo que cada uma possui taxa específica que pode variar conforme o tipo de residência, seu valor contratado e a região onde se encontra o imóvel. Também são considerados sinistralidade e fatores de riscos, por exemplo.

Vale esclarecer que este tipo de contrato é feito com base no valor do imóvel e seus bens. O preço para reconstrução é diferente do preço do metro quadrado de mercado, e é avaliado, em média, a R$ 2 mil. Este cálculo é feito pelo custo para refazê- lo e não baseado em quanto a propriedade vale. Por exemplo, se um imóvel de R$ 1 milhão e 100 metros quadrados sofrer algum dispêndio, o valor ressarcido será de R$ 200 mil, referente à reconstrução.

(O Globo)

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