As preferências deles e delas na hora de comprar ou aluguar um imóvel

“Quando ele entrou no apartamento, a primeira coisa que imaginou era que aquela seria uma grande sala para receber os amigos. A esposa, que era arquiteta, entretanto, avaliou o que poderia ser projetado naquele espaço”, conta Rogério Quintanilha, gerente geral de vendas da administradora Apsa, ao mostrar o imóvel para um casal.

Situações como estas exemplificam bem que, embora todos busquem bons negócios, na prática, as diferenças do que homens e mulheres priorizam em um imóvel, seja para compra ou locação, são mais acentuadas do que se imagina. Podem até mesmo interferir na planta que será desenvolvida ou na abordagem de quem oferece.

Em geral, dentro do imóvel, as mulheres são mais detalhistas, preferem cozinhas amplas e com armários, e dão mais atenção aos quartos. Os homens, por sua vez, priorizam as áreas sociais, como varanda, principalmente as de conceito gourmet.

As predileções de cada gênero não são definitivas ou restritivas. Elas foram feitas a partir da observação de especialistas do mercado imobiliário que acompanham compradores casais ou solteiros no Rio há anos. São, portanto, percepções gerais (e podem variar em cada caso).

Segundo Quintanilha, a mulher, geralmente, olha acabamentos e a disposição dos cômodos porque ela não quer gastar tempo com reformas. Também não gostam de escada. Os homens, diz, tendem a se importar menos em pagar um preço menor e fazer reforma depois, e estão mais preocupados em receber amigos. Por isso, adoram coberturas por conta da churrasqueira e do terraço. É comum, ainda, homens preferirem imóveis mobiliados e com serviços oferecidos pelo condomínio, como faxineiras e cozinheiras.

– Ao contrário do que se pensa, as mulheres são muito mais racionais que os homens na hora de comprar uma casa. Elas se preocupam com a beleza interna: acabamentos, pinturas, pisos e azulejos, com o tamanho dos cômodos e com os quartos que vão ficar vazios, por exemplo. Também preferem quintais mais fáceis de se limpar ou de se fazer a manutenção. Outras dúvidas recorrentes delas são sobre segurança. Será que esta rua é segura? Como é para entrar neste prédio à noite? Tem porteiro? Passa metrô ou ônibus perto? Estão mais preocupadas com a segurança do bairro e do condomínio do que os homens – afirma Quintanilha, que acrescenta:

– Homens são mais emocionais. Eles se preocupam mais em causar uma boa impressão ao receber visitas. E querem saber mais do preço.

Na parte externa do imóvel, porém, as escolhas são mais parecidas. Quando se trata de solteiros, ambos buscam segurança e proximidade ao comércio e transporte público. Os casais, contudo, têm outro foco: a infraestrutura. Dentro do condomínio, querem opções de lazer para eles e para os filhos, como churrasqueiras, piscina, sala de jogos e playground. No entorno, buscam fácil acesso de transporte público para funcionários. Quintanilha chama a atenção ainda para a garagem. Segundo ele, a procura tem aumentado:

– Um detalhe curioso é a preocupação dos dois gêneros com a amplitude das vagas de garagem. Elas não gostam de ter que fazer muitas manobras. Eles, por sua vez, têm receio de arranhar o carro. Mas os dois se preocupam em ter garagem.

INFLUÊNCIA NO EMPREENDIMENTO

Estas divergências vão além da curiosidade e interferem, inclusive, na planta de futuros projetos, como explica Mário Amorim, diretor geral da Brasil Brokers no Rio.

– Ao adquirir um terreno, a incorporadora realiza um estudo detalhado sobre a região, que inclui informações sobre o público em potencial. Analisamos vários aspectos, como a renda, perfil, se são mais solteiros ou casais procurando imóveis em determinada região. Por exemplo, se a maior parte da demanda for de casais, o foco será na infraestrutura de lazer. Se for de solteiros, o investimento pode ser em unidades menores, de um ou dois quartos.

Amorim explica que tais estudos são para conhecer melhor o público-alvo e suas carências. Como as diferenças entre os gêneros inclui tipologia, fachada e infraestrutura do bairro, estes dados são fundamentais e podem definir o estilo do empreendimento.

– Saber quem é o público-alvo está diretamente relacionado com a tipologia do empreendimento. Homens observam mais a infraestrutura e o lazer esportivo. Já elas estão atentas ao paisagismo e decoração. Tem ainda a questão de ter uma boa suíte, armários e organização. Tudo isso influencia quando estamos desenvolvendo as plantas – afirma Carlos Eduardo Fernandes, superintendente comercial da Brookfield Incorporações, que completa:

– Se houver uma procura ou potencial grande de mulheres compradoras, vamos priorizar a organização de espaço e os armários, que são relevantes para elas. Se for um público predominantemente masculino, a área social pode ganhar destaque. Quando fazemos estes estudos prévios, conseguimos ver quem tem interesse de comprar ali e isso vai direcionar nosso empreendimento, pois aumentará as chances de venda.

(O Globo)

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