Prédio é responsável pela água que tratar
Em busca de alternativas à estiagem, os condomínios aderem a soluções para diminuir o desperdício e evitar que as torneiras sequem. O reaproveitamento da água que iria pelo ralo e a da chuva é uma das práticas. Para Orestes Marraccini, professor da Escola Politécnica da USP, a gestão de equipamentos que tratam a água cinza -aquela que sai das pias, chuveiros e máquinas de lavar- e a reaproveitam nas descargas das unidades e limpeza do prédio requer cuidado.
“O condomínio precisa ficar atento à qualidade da água que é reaproveitada por esses sistemas. É preciso ter tubulações separadas, para que a água reutilizada não se misture com a potável, orientar os moradores e treinar os funcionários, além de escolher uma empresa confiável.”
Marraccini lembra que o condomínio passa a atuar como gestor da qualidade da água distribuída e sistemas de tratamento particulares acabam abandonados quando não são geridos direito. Para a professora Lúcia Helena de Oliveira, também da Poli, os condomínios podem se unir em torno de medidas coletivas de captação e tratamento da água. Assim, a contratação de um sistema que faça o reúso da água cinza para descargas e faxina pode ser dividida entre uma quadra de vários prédios, por exemplo.
“Antes de investir em alternativas, o condomínio precisa considerar o espaço disponível, o gasto de energia para manter o sistema de tratamento e a manutenção e operação desses equipamentos. Como a atual falta de água é crítica, é positivo pensar no reúso, que não precisa ser individualizada, por prédio.”
Um sistema que trata essa água pode levar dois meses para entrar em operação, dependendo do espaço e da estrutura disponível. Em um edifício de 60 unidades, um sistema que trata a água cinza custa cerca de R$ 80 mil, mas segundo empresas que instalam o recurso, o gasto com água no futuro pode cair para um terço.
DE OLHO NOS GASTOS
Segundo Ricardo Chahin. do Programa de Uso Racional da Água, da Sabesp, só 34% dos condomínios em São Paulo reduziram o consumo em mais de 20% desde março do ano passado, atingindo o bónus da campanha de economia.
“A medição individualizada nas unidades, por exemplo, não é regra, mas é boa, por educar”, diz Lúcia Helena de Oliveira. Para evitar desperdícios, o condomínio pode decidir em assembleia, por exemplo, a compra coletiva de redutores de vazão para chuveiros – grandes vilões do consumo – e estimular a troca das válvulas dos vasos sanitários por modelos mais eficientes. Empresas e especialistas já discutem a restrição à produção de equipamentos que não sejam economizadores.
(Folha de S. Paulo)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *