Este outubro é momento de reflexão para o “Dia do Consumo Consciente”. Esta data foi instituída pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), no Brasil, para conscientizar a população sobre os problemas socioambientais que os padrões atuais de produção e consumo estão causando ao planeta Terra e aos próprios seres humanos. Para especialistas, os dias de isolamento social por conta da pandemia devem formar um momento propício para repensar os padrões de consumo desnecessários.

Segundo pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), 53% dos brasileiros estão endividados, e 28% contraíram as dívidas após o início do isolamento social. Diante disso, de cada 4 brasileiros, 3 vão manter o nível de consumo reduzido após a pandemia.

Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) citou dados do serviço de georreferenciamento do Google, mostrando uma queda de 71% da circulação de consumidores no varejo de rua, shoppings, livrarias e cinemas. Em outro estudo, 78% dos entrevistados disseram que buscam sair de casa somente para o necessário. Além do panorama econômico, esse momento pode indicar uma ressignificação dos padrões de consumo dos brasileiros. Apenas 24% dos brasileiros praticam o consumo consciente, segundo o Instituto Akatu, em 2018.

Bruno Yamanaka, analista de metodologias do Instituto Akatu, Organização Não Governamental que trabalha pela conscientização social do consumo consciente, diz que, como a maior parte das pessoas está passando mais tempo dentro de casa, houve um aumento do uso de água, de energia elétrica e também na geração de resíduos.

Bruno aponta algumas dicas de fácil adesão: ”Aproveitar ao máximo de luz solar para iluminação, retirar os aparelhos da tomada quando não estiverem sendo usados, pois eles consomem energia mesmo desligados, fechar a torneira ao escovar os dentes e ensaboar as louças e aproveitar a água usada da máquina de lavar roupas”. Segundo Bruno, são simples dicas que, ao longo prazo, fazem grande diferença nas contas da casa e no meio ambiente.

No cenário de pandemia, no qual as pessoas fazem grandes compras para evitarem frequentes idas ao supermercado, Bruno aponta a importância do planejamento das compras. ”Além das pessoas não comprarem em excesso, evitando que as pessoas fiquem tentadas a possíveis promoções de produtos desnecessários, elas acabam comprando apenas o que precisam e vão se deslocar menos”. Ele também explica que é necessário refletir a respeito da quantidade de resíduos usados e qual a melhor forma de reduzí-los, reutilizá-los e reciclá-los.

“A gente pode dizer que, entre as muitas mudanças que estão acontecendo é possível que algumas perdurem. Uma tendência forte que está acontecendo é o home office, o trabalho remoto. A gente tem visto que as empresas estão adotando cada vez mais e isso tem dado muitos bons resultados. O trabalhor não tem que se deslocar até o trabalho, ou seja, ele vai reduzir gasto de transporte e, ao mesmo tempo, reduzir suas emissões”.

Outros pontos de vista proporcionados pela pandemia são: o estilo de vida de consumir entre as pessoas. ”As pessoas estão vendo que o que elas fazem afeta os outros e o que os outros fazem afeta elas também, e essa visão pode ser associadacom uma economia compartilhada, ou seja os interesses estão relacionados”, explica o analista.

Mudança de consumo?

Segundo a socióloga Carolina González, a pandemia foi um evento inesperado que alterou os padrões de consumo da sociedade, como por exemplo o baixo consumo de produtos locomotivos, mas que não necessariamente causará uma mudança de hábitos socioambientais.

”Não se tem feito campanhas de conscientização neste sentido. Mas, o que se tem feito é um discurso da retomada da economia, o que significa voltar aos padrões anteriores de consumo”, explica a socióloga. Carolina ressalta o cuidado ”uma vez que a pandemia esteja solucionada, os padrões de consumo tendem a voltar ao que eram, e com uma voracidade ainda maior, porque a pandemia terá um impacto econômico muito grande e será preciso reequilibrar a economia”. Neste caso, a socióloga alerta para o consumismo compulsivo.

Estratégias

Para aqueles que mantêm o consumo compulsivo ainda que no digital, Lara compartilha algumas estratégias: ”Reduzir o acesso aos sites de compra, não deixar salvo o número do cartão para aumentar o tempo de decisão da compra, refazer o planejamento financeiro para verificar as verdadeiras necessidades, pedir ajuda das pessoas para o controle financeiro, realizar práticas de relaxamento ou outras atividades que garantem o seu bem-estar para além das telas e também fazer terapia”.

A psicóloga também ressalta a importância de fazer uso de terapias, que podem ampliar o autoconhecimento e ainda auxiliar a organizar mudanças comportamentais de pessoas que praticam o consumismo.

”O autoconhecimento tanto do comportamento emocional como o de agir em busca de compensações das faltas sentidas, auxilia no questionamento das necessidades de consumo e da adequação das emoções frente às necessidades aprendidas, podendo assim criar um repertório comportamental de contracontroles para diminuir ações rumo a distrações das dores com o consumismo, e criar também novos repertórios para acessar o que é de real necessidade”, aconselha a profissional.

Fonte: Jornal de Brasília