No primeiro trimestre, Câmara Brasileira da Indústria da Construção registrou aumento de 9% nas vendas e de 4% nos lançamentos residenciais no país. Saiba se esse é realmente um bom momento para comprar

Apesar da economia desaquecida , dos altos níveis de desemprego e da baixa projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) – nesta segunda (12), o Boletim Focus divulgou projeção de 0,81% para o ano -, o mercado imobiliário cresce e começa a dar sinais de recuperação. E a queda da taxa de juros de financiamentos é um dos principais motivos.

Desde a redução da taxa básica de juros, a Selic , em 0,5 pontos percentuais para 6% ao ano, algumas instituições financeiras já anunciaram que estão revisando as taxas de juros.

Só nos primeiros três meses de 2019, o número de lançamentos no mercado imobiliário aumentou e as vendas de imóveis cresceram quase 10% em relação ao mesmo período de 2018, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).

Taxa de juros de financiamento cai, vendas crescem

Depois de bater recorde em 2014 e cair substancialmente, o financiamento de imóveis com recursos da poupança voltou a aumentar em 2018. E, apesar de ainda longe dos melhores tempos, acelerou o ritmo agora.

Nos primeiros cinco meses de 2019, o volume aumentou quase 40% e ultrapassou R$ 27 bilhões. Esse dinheiro financiou a compra de 104 mil imóveis no país, 31% a mais do que no mesmo período de 2018.

Em São Paulo, as vendas de imóveis novos cresceram 27% e o número de lançamentos, 60%. Isso inclui apartamentos populares, como os do Minha Casa Minha Vida, e também de médio e alto padrões. No país, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção registrou avanço de 9% nas vendas e de 4% nos lançamentos residenciais no primeiro trimestre.

‘O financiamento do programa Minha Casa Minha Vida também está se expandindo. Isso permite que um grupo de pessoas que não teriam receita suficiente possam comprar um imóvel com maiores prazos de pagamento e condições especiais’, explica Robert William Salvador, economista especialista do mercado imobiliário e sócio da Ozonean Group.

Vivemos um bom momento para comprar imóveis?

Em junho deste ano, a Pesquisa do Mercado Imobiliário, realizada pelo departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), apurou a venda de 6.319 novas unidades residenciais na capital paulista, um recorde histórico do mercado.

Mas, afinal, por que a busca por imóveis, propriedades que têm valores tão altos, está crescendo mesmo em um período complicado da economia? Robert William atribui o sucesso a outros fatores além da queda dos juros. ‘Estamos em um momento de agito na economia’, afirma.

Segundo o economista, questões como as aprovações das reformas da previdência, tributária e a abertura do mercado brasileiro para investidores internacionais podem estimular o aquecimento da economia. Como resultado, o valor dos imóveis tende a aumentar. ‘De modo geral, para as famílias que avaliam comprar um imóvel, esse é um momento interessante’, afirma o especialista.

Mas, nada de euforia: para fazer bom negócio, algumas questões devem ser avaliadas. ‘É preciso analisar cada possibilidade com calma, comparar condições de pagamento e priorizar regiões que podem ser valorizadas ao longo do tempo’, orienta o economista. ‘Adquirir um bem sem medir consequências, só para aproveitar uma tendência, nunca é uma decisão inteligente’, completa.

O que avaliar antes de fazer um financiamento?

Os últimos dados do Banco Central mostram que a taxa média do financiamento imobiliário está em 7,8% ao ano. Como ainda existem muitos imóveis vazios, apesar do aumento das vendas, os preços praticamente não subiram no primeiro semestre.

Mas, antes de financiar um imóvel, o consumidor deve, em primeiro lugar, pensar em qual tipo ele deseja (e pode) comprar: usado, novo ou na planta. Depois de se decidir entre casa e apartamento, escolher o bairro, avaliar a necessidade de garagens, varandas e áreas de lazer, a procura fica muito mais assertiva.

Quem opta por apartamento precisa considerar que há gastos com condomínio e, muitas vezes, essa obrigação, aliada ao valor de uma parcela, compromete parte importante do orçamento.

Especialmente em grandes cidades, a questão da distância do trabalho também deve ser levada em conta. Isso porque, nesses casos, mais do que conforto, um trajeto menor pode garantir economia de gastos com transportes. Por isso, a localização do imóvel também é muito importante.

Viver de aluguel e acumular dinheiro é uma opção?

Para aqueles que ainda não podem aproveitar o período de queda nos juros para comprar um imóvel, viver de aluguel pode não ser tão ruim quanto parece.

Há quem defenda que, em algumas situações, é melhor que a pessoa fique por um tempo em um imóvel alugado e, durante esse período, economize dinheiro para comprar o seu imóvel.

‘Obviamente, quem paga à vista tem um desconto maior do que quem parcela. Então, passar um tempo juntando dinheiro pode ser a chave para melhorar suas condições no futuro’, comenta Robert. ‘Quanto mais dinheiro o cliente consegue oferecer de entrada, mais ele se livra dos juros. Além disso, essa poupança pode ser uma forma de garantir que você tem capacidade para honrar com os seus compromissos financeiros e ganhar poder de negociação’, acrescenta.

FONTE: CREDITAS REVISTA | NOTICIAS