Depois de 2020, o mundo certamente não será o mesmo. Com a pandemia de coronavírus, muitos hábitos mudaram: nossa relação com os outros e com a casa, a maneira de trabalhar e a preocupação constante com a saúde. Mas, em vez de recontar esta história, por que não olhar para frente e prever o que de bom pode se esperar de 2021 que não aconteceria sem um 2020 definido pela pandemia?

Confira cinco soluções de curto prazo para as cidades e sistemas de transporte:

Centros sem carros

Hoje, os centros urbanos estão mais vazios. Há indicadores de que quando a pandemia terminar, muitas empresas permanecerão em regime de home office, seja ele integral ou parcial. Menos trabalhadores diários no centro da cidade significam menos empresas que dependem deles para a sua clientela, especialmente restaurantes e varejo. Sem estes empreendimentos, há menos atrações para os visitantes. Tudo isso significa que os centros urbanos terão que se reinventar radicalmente para sobreviver a essa ameaça existencial à sua relevância.

Como primeiro passo, muitas cidades aproveitarão a oportunidade para finalmente abandonar os carros. Isso liberará nossos espaços nas ruas. Podemos esperar que algumas avenidas se transformem em feiras livres, outras abrigarão food trucks e restaurantes pop-up.

Os restaurantes terão mais espaço para refeições ao ar livre. Os shows e festivais voltarão às orlas. Teremos mais tráfego de pedestres, oferecendo suporte a mais empresas. Ar mais limpo e ruas mais silenciosas serão um bônus.

Mais serviços de entrega

A pandemia foi um grande impulso para a entrega de alimentos. Muitos restaurantes tiveram que criar protótipos e implantar rapidamente seus próprios serviços de entrega ou fazer parceria com UberEats, iFood e Rappi para sobreviverem. Esses serviços provavelmente persistirão, mesmo quando já pudermos jantar juntos em um ambiente fechado.

Talvez o mais importante seja que esse modelo de produtos e de serviços que vão para os clientes – em comparação com nosso modelo tradicional de pessoas que vão para os produtos e serviços – se expandirá muito além dos restaurantes. Os perigos de 2020 ensinaram as melhores empresas a atender seus clientes onde estão, o que pode significar ir pessoalmente ao local de serviço e em um dia apostar em uma experiência móvel em outro.

Na prática, como será? Podemos esperar, por exemplo, que fornecedores especializados, como lojas de bicicletas, comecem a oferecer serviços de reparo e ajuste diretamente na casa do cliente. Ou que livros e bibliotecas sejam ofertadas também de forma direta, que barbearias se tornem móveis e que o personal trainer instrua o treino em sua própria garagem.

Embarque de aeronave sem filas

Os processos que as companhias aéreas usam para embarcar seus passageiros têm estado abaixo do ideal por décadas. É tão terrível que, para algumas rotas de curta distância, os passageiros podem passar mais tempo esperando no portão e embarcando na aeronave do que realmente voando.

Em 2020, as melhores companhias aéreas aproveitaram a oportunidade para desenhar novos processos de embarque. Embora ainda não tenham surgido, espera-se que venham alguns truques notáveis: primeiro, levar-nos a um portão do aeroporto muito mais perto do embarque e, segundo, dar-nos as boas-vindas a bordo sem ter esperado em uma fila. Nada disso terá acontecido sem nossas novas aversões à aglomeração.

Raio-x além do aeroporto

As filas para embarcar na aeronave não são as únicas que sofrerão uma reforma. Mesmo antes da pandemia, muitos aeroportos lutavam para evitar a aglomeração de passageiros no raio-x. Além disso, esses pontos de verificação ainda não se beneficiaram de um processo de design voltado para o futuro. Todas essas caixas de plástico representam a teimosa persistência dos sistemas criados há duas décadas, após os ataques terroristas de 11 de setembro.

Em 2021, espera-se novos processos que ampliem a triagem de segurança fora da área física do aeroporto, como pontos de controle em locais descentralizados, que forneçam transporte diretamente para além do ponto de controle de segurança no aeroporto.

O primeiro desses locais descentralizados ainda estará na propriedade do aeroporto, mas, eventualmente, surgirão em outros lugares mais distantes, incluindo estações de trânsito e talvez até grandes hotéis.

Tudo ficará mais limpo

Vamos encarar: antes de 2020, nem todos nós estávamos lavando as mãos com tanta frequência. Nossas casas, escritórios, academias e outros espaços do dia a dia não estavam sendo limpos como deveriam. Nossas interações uns com os outros e com esses espaços muitas vezes estavam longe de ser higiênicas, como evidenciado por todos os tipos de mau comportamento – desde deixar de cobrir tosses e espirros a cuidados públicos inoportunos.

Mas a pandemia nos deu uma nova apreciação – e demanda – por limpeza. Essa mudança em nosso comportamento é muito mais do que algo bom de se ter, pois as medidas que implementamos para refletir nossa nova ênfase em saúde e limpeza nos ajudarão a evitar os piores efeitos da próxima pandemia.

Fonte: Revista Casa e Jardim