Blindando a casa contra o mosquito

 

O tríplice surto de dengue, Zika vírus e febre Chikungunya, provocou o aumento da procura por telas mosquiteiras nos municípios de Niterói e São Gonçalo. Segundo proprietários de estabelecimentos do ramo, as vendas aumentaram em 50% desde o início do verão. Os vendedores da cidade afirmam que a procura por telas no bairro de Icaraí ultrapassou o número de pedidos da Região Oceânica neste período.

Instaladas em janelas e portas, as telas tornaram-se produtos tão indispensáveis quanto os repelentes e inseticidas neste período. Por isso, é possível encontrar telas de diversos modelos no mercado, com valores que variam de R$ 60 a R$ 700 reais, dependendo do metro e do tipo da estrutura.

A Fábrica de Telas Niterói, loja especializada no ramo localizada no centro da cidade, possui todos os tipos de telas disponíveis no mercado e uma das proprietárias, Vera Lúcia das Dores, revela que o movimento aumentou muito nos últimos meses e que a tela mais procurada é a de fibra de vidro.

“Desde o início de dezembro o movimento subiu pelo menos cerca de 60%. Todos os dias faço uma venda desse tipo de material e, nos fins de semana, vendo ainda mais, pois as famílias deixam para comprar junto”, comenta.

Vera explica ainda que existem vários tipos de materiais de tela mosquiteira e a mais comprada, principalmente por quem mora em apartamento, é a de fibra de vidro, pois é antichama. Vera ressalta que existe também a de trama de náilon, que possui três cores: verde, a mais usada, branca e cinza. O metro da trama de náilon custa R$ 8 e o da fibra de vidro R$ 16. De acordo com Vera, os clientes optam por comprar a metragem de 1,20, pois é o padrão das janelas de apartamentos.

“Com o avanço da Zika e da dengue, além de Niterói, estou atendendo clientes de Itaipuaçu, Rio Bonito e também da Região dos Lagos. Alguns clientes estão também me informando uma nova forma de colocar as telas, como por exemplo, colocar velcro em volta da janela e da tela e afixar. Isso facilita na colocação e retirada do produto. Espero que consigamos atender todos os pedidos, pois a demanda cresceu muito”, destaca.

No município de Niterói, os empresários revelam que a procura por telas no bairro de Icaraí ultrapassou a média de pedidos da Região Oceânica, onde a demanda costuma ser maior durante o verão. Em algumas indústrias, as vendas aumentaram tanto que as gestantes ganharam prioridade na fila de espera para instalação.

“As telas sempre foram recursos indispensáveis na luta contra os insetos, no entanto, a procura sempre foi muito maior na Região Oceânica da cidade. Nos verões anteriores, cerca de 60% das vendas eram para moradores dos bairros de Itaipu, Piratininga, Itacoatiara e Camboinhas. Os outros 40% vendíamos para o restante da cidade. Porém, desde o início de dezembro que a demanda aumentou muito nos edifícios da Zona Sul, sobretudo no bairro de Icaraí”, explica o proprietário do Grupo Ambientar, Marlon Berard.

Em São Gonçalo, a procura aumentou tanto que algumas lojas especializadas só estão agendando orçamento para o fim deste mês. A vendedora Flávia Barros, da empresa Nikit Redes de Proteção, explica que entre as opções de tecido do mercado, o consumidor pode optar pela trama de náilon, que gira em torno de R$ 15 ou de fibra de vidro, que custa cerca de R$ 20.

“Ambas são úteis e eficazes, contudo, o tecido revestido de fibra é o mais procurado, uma vez que possui maior tempo de vida útil. Além disso, o material não deforma e oferece facilidade de higienização”, avalia a vendedora apontando os modelos de tela mais comercializados. “As estruturas de sobrepor, correr e recolher são versáteis e podem ser instaladas tanto em janelas de alumínio, quanto de madeira. A diferença entre elas é que as telas de sobrepor são facilmente removíveis e as de correr são mais recomendadas para as janelas de madeira. Já o modelo de recolher é uma espécie de cortina que pode ser erguida e segue o mesmo padrão das persianas”, explica.

A empresária Lívia Toblaer, 34 anos, moradora de Itaipu, decidiu instalar telas mosquiteiras na casa toda após se mudar para Região Oceânica e sofrer com a proliferação de insetos. Ela conta que chegou a ser diagnosticada com dengue e desde que tomou a medida, reduziu significativamente a incidência de mosquitos e pernilongos em sua residência.

“Decidi instalar telas mosquiteiras em todos os cômodos, porque é uma forma inteligente de proteger a família e garantir o bem-estar de todos durante a noite de sono. Como moro próximo a uma área de vegetação, a proliferação de mosquitos é grande, principalmente ao entardecer. Resolvi o problema ao instalar a tela de sobrepor. Agora, posso dormir de janela aberta com tranquilidade”, afirma a empresária Lívia Toblaer, 34 anos, moradora de Itaipu.

Segundo a infectologista Ana Abrantes, a instalação de mosquiteiras é uma medida eficaz, uma vez que impede a entrada dos mosquitos transmissores nas residências e permite que a sociedade atue junto com o governo no combate à epidemia.

“A melhor forma de evitar a dengue é combater os focos, porém, exterminar efetivamente todos os logradouros é uma investida que o governo vem tentando há anos. Por isso, a população deve recorrer a diversos meios e as telas são consideradas opções viáveis, visto que o material impede a entrada do transmissor no ambiente de convívio do homem. Vale ressaltar que na Europa todas as casas possuem mosquiteiras e o recurso é considerado um suporte para a saúde pública. Dada a epidemia, acredito que muito em breve todos os brasileiros irão recorrer ao produto”, assegura.

 

(O Fluminense)

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