Desde o início da pandemia as pessoas têm passado mais tempo em suas casas em isolamento social, em especial nos condomínios, resultando no aumento no número de reclamações. Segundo dados da Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região (Proempi) e do Sindicato da Habitação (Secovi), em Jundiaí houve um aumento de 10 a 15% de reclamações durante a pandemia.

 

Segundo o síndico profissional e coordenador do Conselho de Síndicos da Proempi/Secovi-SP, Fernando Angelucci Fernandes, de 60 anos, as principais queixas do período se referem ao barulho e ao uso dos elevadores ocasionado aglomerações. “Por conta do isolamento social, muitas pessoas estão em casa trabalhando e estudando, mas o barulho passou a ser um dos principais fatores de reclamação dos moradores. Quem está em casa e trabalhando o barulho é um fator considerável e pode atrapalhar muito a rotina”, ressalta.

Ele lembra que houve casos pontuais de pessoas que reclamaram de aglomerações no elevador e até do uso dele por diferentes pessoas ao mesmo tempo. “Neste caso, como solução, ficou estabelecido que apenas moradores da mesma família poderiam entrar e ir até o andar de referência. Uma família por vez”, adianta.

 

SOLUÇÕES

 

O engenheiro José Roberto Pereira, de 50 anos, está de home office desde o início da quarentena e, como forma de solucionar os problemas relacionados ao barulho no condomínio onde mora, em Jundiaí, ele sugeriu ao síndico a implementação de uma trégua na semana para que os moradores pudessem realizar manutenções e pequenas reformas em um dia específico, mas que nos demais fossem respeitado o silêncio pleno.

 

“Como morador e integrante do conselho, eu sugeri essa medida para que todos pudessem programar melhor e evitar contratempos e reclamações”, explica.

 

A ideia de Pereira foi colocada em prática e apenas às sextas-feiras é permitido ações que por algum motivo tenham um impacto sonoro, no entanto, a professora Ana Paula Betim Faria, de 51 anos, relata que recentemente passou por uma situação complicada.

 

Ministrando aulas on-line e gravando materiais de apoio para os estudos de seus alunos, ela foi surpreendida pelo barulho no meio de uma aula.

 

“Algumas pessoas tentam fugir da regra, mesmo sendo casos bem pontuais, mas assim que efetuei a reclamação, o zelador já fez contato com o morador e o impasse foi resolvido”, completa.

 

Apesar de ser uma realidade atípica, Ana Paula diz que de forma geral os moradores têm colaborado com as regras o que evita as reclamações. “Nesse momento temos que ser um pouco maleáveis também. É uma situação inusitada e estamos todos passando mais tempo em casa. A palavra-chave seria a colaboração mútua”, diz.

 

Representando oito condomínios da cidade, o que equivale a mais de 800 unidades e cerca de 3 mil pessoas, Fernando Fernandes ressalta que a comunicação foi um dos principais fatores para resolução dos impasses e demandas apresentadas pelos condôminos neste período. O resultado foi inúmeras notificações e multas. “Quando há um problema é necessário que se tenha uma conscientização dele. O síndico promovendo essa conscientização, seja com quadros de avisos, mensagens pelo WhatsApp, e-mails e orientações nos elevadores. Tudo vale como ferramentas essenciais para que todos os condôminos fiquem a par das regras e sejam amparados por elas”, completa.

 

ORIENTAÇÕES

 

O advogado especialista em direito condominial, Carlos Eduardo Quadratti, de 48 anos, atua há 16 anos na área e relata ter percebido um aumento significativo de reclamações dos condôminos. Para ele, a melhor forma de resolver esses impasses é o acordo.

 

“A orientação para o síndico, diante desses impasses, é buscar pelo acordo entre as partes envolvidas. Quando a conversa não dá resultado, aí sim é indicado partir para notificação seguida de multa se o problema não for resolvido”, explica.

 

Quadratti informa que os síndicos e os moradores, diante de eventuais problemas, são amparados pela convenção condominial e pelo regimento interno do próprio condomínio que estabelece todas as normas do local. São ferramentas que podem ajudar na resolução destes impasses. “Em último caso é possível buscar amparo nos termo legais, mas o mais indicado é o acordo e a conversa. É a primeira vez que passamos por essa situação de isolamento social e, estar em um condomínio, significa seguir regras para promover o bem-estar coletivo e se colando no lugar do outro. Isso resolve muitos impasses”, diz.

 

Fonte: Jornal de Jundiaí