Março é o mês em que a cidade do Rio de Janeiro completa 453 anos, e muita coisa aconteceu ao longo desses quatro séculos e meio. A história do Rio é extensa e cheia de detalhes interessantes, a começar pelo nome.

O local foi descoberto por navegadores portugueses no dia 1º de janeiro de 1502. Eles achavam que a Baía de Guanabara era um rio, e, como o dia era o primeiro de janeiro, batizaram o local com o nome de Rio de Janeiro. Mas os portugueses não ficaram por lá: foram os franceses que primeiro se estabeleceram no local.

Os exploradores franceses e portugueses eram rivais e competiam pelo comércio madeireiro, que florescia na Europa. Em 1555, os franceses começaram a enviar colonos para habitar e explorar a região. Anos de luta se seguiram entre França e Portugal, o que culminou com a chegada de Estácio de Sá, em 1565.

Estácio de Sá aportou na Urca, entre o Pão de Açúcar e o Morro Cara de Cão, e fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. O militar iria se tornar o primeiro governador-geral da província do Rio e tinha como objetivo construir uma cidade fortificada que intimidasse os franceses. Eles foram oficialmente expulsos em 1567, comprovando a soberania portuguesa.

A cidade, por ser localizada estrategicamente com relação à Baía de Guanabara, viu florescer uma zona portuária e comercial, cujos principais produtos eram madeira, pesca e cana de açúcar. Devido ao desenvolvimento econômico, a população cresceu exponencialmente, se tornando a cidade mais populosa do Brasil na segunda metade do século XVII.

No século seguinte, com a exploração crescente de ouro e outros metais em Minas Gerais, o Rio se transformou na ponte principal entre o minério precioso e a Europa, consolidando a sua influência na economia do país. Em 1763, o ministro de Portugal, Marquês de Pombal, transferiu a sede do Brasil Colônia de Salvador para o Rio de Janeiro, que permaneceu sendo a capital do Brasil até 1960.

Já no final do século XVIII, houve uma grande crise econômica na cidade, com a queda da produtividade nas minas e outros países entrando na competição para exportar cana de açúcar. Mas o cultivo do café e a chegada da família real, em 1808, trouxeram novas esperanças para a economia do Rio. A realeza portuguesa construiu diversas igrejas e palácios, construções históricas que podemos visitar até hoje.

Já na segunda metade do século XIX, a instalação do sistema ferroviário impulsionou a produção agrícola e de café, dando início às primeiras indústrias no centro da cidade e trazendo a iluminação a gás. Em 1889, com a Proclamação da República, a população dobrou de tamanho, causando diversos problemas sanitários e sociais.

Em 1903, Francisco Pereira Passos tornou-se prefeito da cidade. Ele criou avenidas, parques e um novo porto. Uma das medidas mais controversas que ele tomou foi ordenar a demolição de casas que não tinham condições adequadas de higiene, o que levou grande parte da população a migrar para os subúrbios. Este fato, aliado ao crescimento desordenado e à pobreza crescente, deu início ao povoamento desordenado de morros, constituindo o processo de favelização.

Em 1912, o primeiro trecho do bondinho do Pão de Açúcar, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca, foi inaugurado e acabou se tornando um dos maiores símbolos e pontos turísticos da cidade. Em 1931 foi inaugurado o Cristo Redentor, outro grande símbolo internacionalmente reconhecido.

Do final do século XX até os dias de hoje, o Rio ganhou notoriedade por sediar eventos importantes, como a Rio-92, os Jogos Pan-Americanos de 2007, a final da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Esses eventos obtiveram investimentos milionários e causaram grande questionamento por parte da população.

O Rio de Janeiro é um lugar único e peculiar, onde o mar, a floresta e as montanhas dividem a mesma casa e cujo povo, apesar de tantas mazelas, continua sorrindo e lutando por um amanhã melhor, a partir de uma história que vem sendo escrita há muitos séculos.