Calçadão de Copacabana foi o primeiro de pedras portuguesas no Rio
Quem já visitou a Praça do Rocio, em Lisboa, certamente lembrou-se do calçadão da Praia de Copacabana. A associação é imediata, já que o traçado em pedras portuguesas é o mesmo nos dois lugares. Em Portugal, o desenho simboliza o encontro do Tejo com o oceano. No Rio, representa as ondas do mar.
A ideia de homenagear nossos colonizadores foi do então prefeito Paulo de Frontin, no início do século passado. Foi ele quem escolheu o traçado, conhecido como “Mar Largo”, para ilustrar a calçada da avenida que estava sendo ampliada. Não poderia imaginar que criaria o principal símbolo do bairro – e também da praia mais famosa do mundo.
– Tudo indica que a primeira calçada brasileira com o desenho “Mar Largo” é a que circunda o Teatro Amazonas, em Manaus. Foi feita em 1900 e ainda se encontra em perfeito estado. A de Copacabana surgiu poucos anos depois – afirma o historiador Milton Teixeira.
As pedras portuguesas à beira-mar tornaram-se uma tradição na cidade. Tanto que, nas décadas seguintes, novos desenhos surgiram. Apenas um repetiu o de Copacabana: o da Praia de São Conrado. Em Ipanema e Leblon, o desenho foi criado há cerca de cinco décadas.
Nos praias da Zona Oeste (Barra da Tijuca, Recreio e Macumba), a ideia foi bem diferente: em vez de ondas ou formas geométricas, o então prefeito Marcello Alencar escolheu, no fim dos anos 1980, um traçado em forma de peixes.
Atualmente o Rio possui 1,218 milhões de metros quadrados de calçamento em pedras portuguesas. A prefeitura tem uma equipe de calceteiros responsável pela recuperação e fixação das pedras. São 40 homens, formados em um curso ministrado por profissionais de Lisboa. Os serviços na orla incluem reparos e substituições das pedras desgastadas, e são realizados regularmente do Leme ao Pontal – a orla não tem calçadão a partir da Reserva.
– Os calçadões em pedras portuguesas são, apesar da origem lusitana, grandes símbolos do Rio de Janeiro. A identificação visual é percebida por pessoas de todo o mundo. Cuidar deles é ao mesmo tempo um prazer e um grande desafio – afirma o secretário de Conservação e Serviços Públicos, Marcus Belchior.
Para o historiador Nireu Cavalcanti, Portugal tem verdadeiros tapetes de pedras portuguesas:
– Elas só se consagraram no Rio por causa de Pereira Passos.
Nireu também recorda que, no fim dos anos 1960, a Avenida Atlântica passou por sua última e definitiva reforma. O artista plástico e paisagista Roberto Burle Marx foi chamado para modernizar a calçada, que triplicou de tamanho após a intervenção urbanística e foi redesenhada. Se antes o formato das ondas ficava perpendicular à praia, com a reforma ele passou a ficar paralelo.
– É uma das poucas coisas no bairro que mudaram para melhor – afirma a funcionária pública aposentada Cleonice Moutinho, de 75 anos, moradora da Avenida Nossa Senhora de Copacabana.
Para ela, “Copacabana não seria o que é sem o calçadão”. Não há como discordar.
(O Globo)

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