Soluções criativas ajudam condomínios a economizar

O reajuste que chega a 15% no valor de condomínios na cidade do Rio, impulsionado pela inflação e por aumentos nas contas de água e luz, obriga síndicos a apelar para a criatividade na hora de apertar os cintos. A boa notícia é que medidas simples, como a instalação de lâmpadas de LED no lugar das comuns e a reutilização da água da chuva, podem reduzir as despesas em até 60%

Segundo levantamento feito pela Irigon, empresa especializada em administração de condomínios, só com a adoção do sistema de reúso é possível reduzir em 20% a conta de água com o aproveitamento da chuva. Já as lâmpadas de LED e as lâmpadas com sensores de presença representam uma redução de 60% na conta de luz do condomínio.

As medidas de economia, na prática, apresentam resultado igual e até melhor que os levantados pela empresa. A instalação de hidrômetros individuais, adotada pela síndica Maria Auxiliadora Cavalcante Patrício, do Edifício Bandeirante Capitão Domingos, em Todos os Santos, derrubou o valor da conta de água do condomínio de R$ 25 mil para R$ 11 mil, uma economia de 56%.

“Quando instalamos os hidrômetros, tivemos um gasto de R$ 1.800 por apartamento. Mas o dinheiro voltou em menos de um ano”, conta. “O resultado disso foi que eu consegui ficar três anos sem ter que reajustar o preço do valor do condomínio”, completa.

O alívio no bolso dos moradores ajuda também a diminuir a inadimplência. Quando foi síndico do edifício Nuno Gonçalves, em Niterói, o roteirista Marcio Vianna fez uma pesquisa de preço e trocou fornecedores por mais baratos. Além disso, economizou com a troca de lâmpadas.

“Percebi que a iluminação com sensores na garagem não dava certo, porque as luzes acendiam mesmo de dia. Deixar as luzes acesas de 19h às 7h saía mais barato”, lembra. “Conseguimos baixar o valor do condomínio em 10% e muitos moradores que estavam inadimplentes acertaram as contas”.

Presidente do conselho de um prédio em Botafogo, Henriette Krutman optou pela instalação de paineis solares para substituir as caldeiras que esquentavam a água para os apartamentos. A instalação do equipamento funcionou em sistema de leasing – operação de crédito de longo prazo – com duração de quatro anos, a um custo mensal de R$ 7 mil, uma economia considerável frente aos R$ 15 mil que eram gastos com gás. Depois de quitar o empréstimo, a conta despencou para R$ 3.590, uma redução de 76% na despesa.

Taxas sobem até 15,6% no primeiro semestre

Pesquisa do Secovi Rio, Sindicato da Habitação, sobre o mercado de condomínios em 2015 mostra que, entre janeiro e julho deste ano, o valor das taxas na cidade do Rio de Janeiro sofreu variação que chega a quase 16%.

A menor alta, de 4,53%, foi registrada em Ipanema; a maior ficou por conta do Méier, com índice de 15,65%. Em dez dos 13 bairros analisados pela pesquisa, verificou–se que houve variação da taxa condominial maior que no ano passado.

Ainda segundo a pesquisa, entre janeiro e dezembro de 2014, a inadimplência no pagamento do condomínio oscilou entre 11% e 13%. A partir de janeiro de 2015 ela ficou em 13,07%, valor que supera a média de anos anteriores, que varia de 8% a 10%.

Segundo o levantamento, o cenário é explicado pelo endividamento das famílias. Com apenas 2% de juros para atraso de condomínio, os consumidores preferem arcar com outras contas antes de cumprir com essa obrigação, aponta o estudo.

‘É preciso evitar gastos com indenizações’

Síndico de um prédio no Méier, o engenheiro Helio Breder economizou ao diminuir viagens vazias dos elevadores. “Programamos o equipamento para ficar no andar onde deixava o morador”, explica. A mudança, aliada à instalação de sensores de presença e de lâmpadas econômicas, baixou a conta de luz em 39%, de R$ 4.232 mensais a R$ 2.554.

Já a instalação de um sistema de captação de água da chuva, usado para regar plantas ou lavar áreas comuns, reduziu a conta de água de R$ 8.226 para R$ 6.045.

Diretor jurídico da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), Marcelo Borges diz que também é preciso atenção às leis trabalhistas para evitar indenizações futuras. “Muitos síndicos reduzem horas extras ou alteram a jornada sem saber se isso é permitido”, diz. “É importante estar atento às convenções coletivas das categorias. Uma saída é procurar administradoras de condomínios que conhecem o assunto”, sugere.

(O Dia)

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