A missão era grande: criar mobiliário urbano com plástico reciclado “para espaços em transformação”. Por espaços em transformação, leia-se o Passeio Ernesto Nazaré, um boulevard no Santo Cristo aberto ao público, com área de seis mil metros quadrados, outrora um terreno baldio. Cerca de 20 alunos de faculdades de design, desenho industrial e arquitetura da PUC, Uerj, UFRJ e UFF aceitaram o desafio e arregaçaram as mangas. O resultado poderá ser visto a partir de amanhã, quando as peças – um banco com duas mesas, um lounge com mesinhas e cadeiras e uma cobertura para dar um alívio naquela hora do sol forte – serão inaugurados.

– Durante os quatro meses de pesquisa para a elaboração do projeto, conversamos com moradores e trabalhadores locais para ouvir suas demandas. Pedreiros e mototaxistas da Providência e do Morro do Pinto falaram que comiam debaixo do sol, sentados em banquinhos. Queríamos proporcionar conforto, um lugar legal, onde eles se sentissem em casa. Pensamos na cobertura para oferecer sombra, porque as árvores do passeio vão demorar de cinco a seis anos para crescer – conta Kamissy Poletto, formanda de Arquitetura da PUC, que, com dois colegas, ganhou a menção honrosa na quarta edição do Desafio de Design Odebrecht Braskem. 

MORADORES PUDERAM OPINAR

Vencedora com dois colegas da categoria “trabalho e descanso”, com o projeto do banco com duas mesas, Vanessa Bernardes, aluna de Desenho Industrial da UFRJ, ressalta a felicidade de poder contribuir com a revitalização do Porto Maravilha e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e moradores do entorno:

– Eles contaram que sentiam falta de um espaço para passear, aproveitar com a família.

A inauguração dos equipamentos será com pompa e circunstância: durante a primeira edição do Festival de Ativação Urbana (FAU), no próprio Passeio Ernesto Nazareth (na altura do número 86 da Avenida Cidade de Lima). O evento será gratuito e reunirá atrações musicais, food trucks, expositores de moda, artesanato, gastronomia e mangás, arena de jogos, além de simulações de robôs e palestras sobre robótica e empreendedorismo. Também haverá performances de artistas da região, como o grafiteiro Kaleb, do movimento I Love Morro do Pinto e o grupo de street dance Efeito Urbano, do Morro da Providência.

– O festival surge para ativar esse pedaço da cidade. Queremos atrair pessoas de diversas regiões do Rio pela facilidade de acesso, com o VLT e o BRT. A integração com os moradores do Santo Cristo é fundamental. Se a gente não acolher a comunidade, o festival vai virar mais uma feira da moda, e não é o que desejamos – afirma o designer do Núcleo de Ativação Urbana Daniel Kraichete, coordenador do Desafio de Design Odebrecht Braskem e um dos idealizadores do FAU.

O festival, que será mensal em 2018, é uma parceria com o edifício Novocais do Porto, que pertence ao grupo Odebrecht. O empreendimento foi o responsável pela criação, há um ano, do Passeio Ernesto Nazareth. Com R$ 3 milhões, foram feitas a pavimentação, a iluminação e o paisagismo da região. Quem frequenta a área já percebe a diferença:

– Passava pelo Santo Cristo antes da revitalização e era um lugar deserto. Ver agora as pessoas aqui tomando um café, conversando e recarregando as energias é muito bom – diz a empresária Paola Perez, que tem um salão de beleza na região.

Fonte: O Globo, Natália Boere