Perigo na hora de repaginar o lar

 

Reformar o apartamento para deixá-lo ainda mais confortável e ao seu gosto é o desejo de muitos proprietários de imóveis no Brasil. Assim, mudar a fiação, colocar uma nova tubulação, incluir móveis planejados ou derrubar paredes são normais em muitas obras.

Entretanto, todas essas modificações apresentam riscos para o imóvel e para o condomínio, especialmente derrubar paredes. Para realizar esta tarefa, torna-se necessário consultar um profissional, engenheiro ou arquiteto, para saber a possibilidade de demolição sem afetar a estrutura do local.

Para realizar uma obra bem-sucedida, que não cause dor de cabeça no futuro, é necessário contratar alguém que saiba avaliar as questões estruturais que envolvem uma edificação, conforme conta a arquiteta Camila Saavedra.

“O ato de remover, total ou parcialmente, as paredes de um apartamento requer a presença de um profissional. Arquitetos e/ou engenheiros precisam ser contratados para avaliar a possibilidade de demolição da alvenaria. Somente desta forma é possível garantir que a retirada da parede não afetará a estrutura da edificação ou acarretará outras complicações. Tenha sempre como premissa que é preciso entregar esta tarefa a alguém que saiba realmente avaliar as questões estruturais que envolvem uma edificação para que a obra ocorra de forma segura”, destacou.

Para o também arquiteto Leandro Galucio é importante levar em consideração um outro detalhe.

“A primeira coisa a saber é qual o sistema de construção que foi usado pra fazer sua casa. Se a estrutura é feita com vigas e pilares, as paredes tem apenas a função de vedar os ambientes. Esses elementos não são dimensionados para resistir às cargas além de seu próprio peso”, afirmou.

Camila ressaltou que é necessário consultar o síndico do prédio em que mora para se realizar qualquer obra.

“Mesmo uma pequena reforma deve ser informada ao síndico do edifício. Dependendo do tamanho da intervenção, o condomínio exigirá a avaliação e a presença de um engenheiro ou arquiteto durante a reforma. Será exigido do profissional contratado a emissão de uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica – CREA) ou RRT (Registro de Responsabilidade Técnica – CAU) se responsabilizando pelo projeto e/ou execução da obra. Estes documentos comprovam que projetos, obras ou serviços técnicos possuem um responsável devidamente qualificado para realizar tais atividades e com registro regular perante seu respectivo conselho. Isso também garante legitimidade documental e assegura a autoria e os limites da responsabilidade e participação técnica em cada obra ou serviço”, explicou, completando ainda que, se houver desconfiança sobre uma determinada reforma feita por um vizinho, deve-se também comunicar ao síndico.

“Caso um condômino desconfie que uma obra em seu prédio esteja em situação irregular, este deve informar o fato ao síndico e à Prefeitura de sua cidade. Se ficar comprovado que a reforma está em desacordo com a legislação vigente e/ou apresenta riscos ao prédio, a mesma será embargada e as medidas cabíveis serão aplicadas”, completou.

Leandro Galucio destacou quais intervenções não apresentam riscos para o empreendimentos imobiliários.

“Pequenos reparos como rebaixamento de gesso no teto e pinturas de paredes não são exigidas a supervisão técnica de um profissional”, disse.

Camila, por sua vez, alerta que apesar dessas intervenções apresentarem riscos de danos menores, mas podem apresentar problemas.

“Quando o assunto é obra, qualquer intervenção apresenta riscos, mesmo que pequenos. Até a simples instalação de móveis planejados pode, por acidente, furar uma tubulação. Contudo, no geral, serviços de pintura e pequenos consertos não costumam gerar danos maiores. De qualquer forma, independente dos serviços que venham a ser feitos, procure sempre se cercar de bons profissionais, de preferência indicados por pessoas conhecidas. Nesta área, boas referências são sempre bem-vindas”, contou, detalhando ainda os maiores riscos em se realizar uma reforma sem consultar um profissional.

“Caso uma parede que possua função estrutural seja removida, o edifício pode literalmente desmoronar, por isso a exigência da contratação de um profissional qualificado em obras que incluam demolições. Outro problema comum quando não se analisa corretamente a alvenaria a ser removida é a possibilidade de esbarrar com as prumadas de instalações do edifício no local a ser demolido. Tubulações de gás, por exemplo, podem ocasionar explosões caso sejam mal manipuladas”, alertou.

O arquiteto Leandro Galucio ainda citou um exemplo em que teve de lidar com a demolição de uma parede.

“Trabalhamos em um dúplex para um jovem casal, onde os clientes solicitaram um espaço mais aberto para receber amigos e familiares, com a derrubada das paredes, ganhamos a integração da sala com a piscina e da área gourmet”, destacou.

Ele disse que os proprietários realizam reformas e derrubam paredes devido à necessidade de ganhar mais espaço e integrar ambientes, seja em imóveis com fins comerciais ou em uma residência para acomodar suas vontades ao desejado estilo de vida.

(O Fluminense)

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